NÃO TEMOS MAIS UM MOVIMENTO ESTUDANTIL OFICIAL
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NÃO TEMOS MAIS UM MOVIMENTO ESTUDANTIL OFICIAL


“Não temos mais um movimento estudantil oficial”. Luís Groppo, professor de ciências sociais - ZERO HORA 19/06/2011

Pesquisador da história do movimento estudantil no Brasil, o professor de ciências sociais no Centro Universitário Salesiano de São Paulo e autor de Autogestão, Universidade e Movimento Estudantil (Autores Associados, 2006) afirma que os protestos de universitários e secundaristas deixaram de ocupar o centro da cena política nos anos 1960. A seguir, uma síntese da entrevista:

Zero Hora – O movimento estudantil perdeu um pouco de sua relevância como movimento social organizado?

Luís Groppo – Sim. Nos anos 1960 os movimentos estudantis tiveram uma centralidade fundamental nas lutas políticas. Mesmo antes de 1964 eles estiveram muito ativos, participando de movimentos populares, ligados à política populista de João Goulart. Após 1964, o movimento estudantil se torna um dos principais núcleos de resistência às arbitrariedades do regime. A UNE não era legal, as instituições estaduais eram semilegais, mas conseguiram ainda assim manter uma estrutura de organização que as tornou uma das principais forças opositoras.

ZH – Essa centralidade se perdeu com a redemocratização?

Groppo – Mesmo antes. Pode-se dizer que, no final de 1968, o movimento estudantil foi de alguma forma derrotado pela repressão violenta e extrema do governo militar. Com as prisões em massa, a UNE foi desmantelada e só viria a se reorganizar nos 1970 e 1980, mas aí já sem a antiga centralidade no cenário político. Nesse intervalo, surgiram outros movimentos sociais importantes, alguns ligados às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o movimento negro, o movimento operário. A UNE se reorganizou mas perdeu um pouco de seu caráter de movimento de contestação.

ZH – Qual é o perfil dos jovens engajados nos atuais movimentos estudantis?

Groppo – Não temos mais um movimento estudantil oficial. Temos um movimento de estudantes, que é o Movimento Passe Livre, mas não se sei se os líderes fundamentais desses movimentos independentes participam de uma entidade estudantil oficial. Esse Movimento Passe Livre é formado por estudantes de baixa renda descrentes da política estudantil oficial. O encolhimento do movimento estudantil, entretanto, não significou a debandada dos jovens da política. É importante registrar a participação de jovens nos movimentos de contestação à globalização, na luta pelo respeito aos direitos dos índios, mas essas lutas não surgiram no movimento. O próprio Fórum Social Mundial teve muita participação jovem em sua origem.

ZH – Os movimentos estudantis sofreram muitas críticas pelo chamado aparelhamento (controle por partido ou corrente política) das entidades ou por sua utilização como degrau para uma carreira na política. Qual sua avaliação desse processo?

Groppo – Sempre houve aparelhamento partidário, ligação de facções do movimento estudantil com partidos oficiais. Nos anos 1960 já era assim. A questão é que, naquela época, não era só isso, o movimento conseguiu ir muito além disso. E isso é uma riqueza que se perdeu. Ligações entre movimentos e facções políticas não são por si só uma coisa ruim, porque isso já foi uma forma de politização da juventude, uma forma de fazê-los lidar com as questões de seu tempo. Mas não pode ser só isso. A UNE hoje está ligada apenas ao PC do B, perdendo até mesmo sua capacidade crítica, uma vez que o partido apoia o governo atual, mesmo que esse governo às vezes contradiga posições socialistas defendidas pelo partido. Não se encontra mais a vivacidade, a força do passado, a possibilidade de crítica às instituições.



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